sábado, 19 de dezembro de 2009

As estátuas vivas



Encantadoras as estátuas vivas
das nossas ruas.
Suportam, impávidas, quer o frio intenso
quanto mais tórrido calor.
Estão ali para ganhar o seu $, sim,
mas de um jeito tão estóico e...
delicado.
Que não há como lhes recusar
uma moeda.
Ah, e quando agradecem,
nos passando um textinho
impresso num quadriculo recortado
de folha de papel?
Ou uma figurinha de anjo...
Como faz bem ao coração!


Porto Alegre, dez/09

domingo, 1 de novembro de 2009

Eu sou Zé!



Sou Zé,
mas não sou Sarney;
Sou Zé,
mas não sou Dirceu;
Sou Zé,
mas não sou Genoíno;
Sou Zé,
mas não sou Alencar;
Sou Zé,
mas não sou Serra;
Sou Zé,
mas não sou Fogaça,
Sou Zé,
mas não sou Fortunati.
Que sorte a minha!


1º-set-2009 - Passo de Torres

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Poemas do Soldado 2004

Estes quatro poemas talvez estejam inéditos até hoje. Eles me foram 'presenteados' quando fiz o serviço militar, em 1964/65, por outro soldadinho, do qual nem recordo o nome. Só o número pelo qual éramos identificados, e, mesmo assim, porque foi como ele assinou os originais que deixou escritos a lápis nas folhas finais em branco de uma antologia de poemas que havia emprestado para ele. Como eu gosto muito destes poemas, os reproduzo neste espaço.


Revelação


Rebanho de mortes
esquecendo minutos de sol,
minh'alma segue noite a dentro
tecendo panos de dias desfiados
cobrirá para sempre o futuro incerto,
que eu sei não existirá.


Crescendo sempre, sempre,
o rebanho seguirá
alimentado de mortes diuturnas.


Gastei meu futuro
e glória nenhuma esperarei,
pois já a encontrei perdida
numa esquina feito noite,
noite adiantada de um dia esquecido,
vestida de sangue roxo,
sem perdão


(Sem nome)


... com o espinho da rosa
esmagarei sorrisos,
verterei meu sangue
em ladrilhos negros.
e jamais sorrirei.
em minha boca
há um gosto de teto destelhado...


Sem nome


... se eu soubesse,
de onde vem esta ternura,
esta ternura de mãe a acariciar o filho...
se eu soubesse,
para onde vai aquela alma
a despregar-se do corpo sem vida...
... juro!
juro que a seguiria...




De repente


o homem sentou-se,
olhou o céu,
o mar,
olhou o pássaro.
Sentiu a brisa no rosto,
uma lágrima verter-lhe.
Tocou a terra
pagou na flor,
bebeu da água.
Outra lágrima verteu-lhe.
O homem sentiu-se pequeno.
Sentiu-se nada!
nada!


Pelotas, 1964